Bonobo – The North Borders

Escrito por em 06/05/2013

Artista pertencente ao time do selo Ninjia Tune, Simon Green, conhecido também como Bonobo, uma das duas espécies existentes de chimpanzé, parente vivo mais próximo ao ser humano, lançou recentemente o seu quinto registro musical.

Este trabalho criou uma expectativa inédita depois do excelente Black Sands de 2010, disco que lhe rendeu merecida visibilidade entre uma geração mais jovem que se encaixa no meio da música eletrônica, produzida exclusivamente para pista, e na maioria das vezes estéril e magra, e os fundamentalistas digitais em busca da revolução conceptual sonora do terceiro milênio.

Desde o seu primeiro disco, Simon Green nunca foi correndo atrás do som mais hype, mas procurou se inspirar naquelas eclécticas e peculiares sonoridades desenvolvidas ao longo dos anos 00. Em busca de um elegante equilíbrio entre o pop e a experimentação na qual orgânico se torna sintético e o contrario também ocorre.

Hip hop, trip hop, nu jazz, dubstep, house e UK garage são todos elementos que Simon pescou de mãos cheias, mas ele nos mostra que quem trabalha com música electrônica é, de fato, um artesão que deve ter aqueles conhecimentos, equilíbrios dinâmicos, soluções estéticas de quem estudou música de verdade e não baseou o seu trabalho consultando as paradas de dance eletrônica das revistas e dos sites especializados.

The North Borders, como nas maiorias dos trabalhos do Bonobo, conta com uma lista de ilustres convidados, começando pela vocalista e compositora, a rainha do neo-soul norte americano Erykah Badu na faixa “Heaven For The Sinner” uma canábica balada sofisticada que se desenvolve em cima de uma base rítmica quebrada na qual a bela voz da diva desliza delicadamente.
Abrindo o disco temos a radiofônica “First Fires” com a voz quente e cheia de soul de Grey Reverend, jovem e singular artista pouco conhecido, que recentemente se tornou integrante oficial dos cultados The Cinematic Orchestra.

Em “Cirrus” primeiro single a ser lançado, acompanhado por um vídeo surreal assinado pelo visionário artista independente, Cyriak, encontramos os mantras pop electrônicos que se tornaram o marco do Green. Orgânico e sintético se unem num crescente que nos leva às alturas do céu onde encontramos os verdadeiros cirrrus – cito abertamente a definição que encontrei na Wikipédia:

“Os Cirrus são nuvens que se formam na alta troposfera, tipicamente a uns 8 mil metros de altitude, numa temperatura ambiente inferior a 0 C. São por isso constituídas por microscópicos cristais de gelo, que devido à ação dos ventos de grande altitude ficam com a aparência de novelos muito finos de cabelo branco («cirrus» em latim significa exatamente «cachos de cabelo»). Tem um aspecto delicado, sedoso ou fibroso, de cor branca brilhante.
Os cirrus estão associados ao tempo agradável e a sua direcção indica a direção do movimento do ar a grande altitude. Formam-se em massas de ar estável, quando a humidade e a temperatura são relativamente baixas. Podem estar associados à presença de chuviscos.”

Resumindo o disco:
Um ponto de vista privilegiado para nós que estamos grudados no áspero asfalto cotidiano.

Paz!

Mauro Lussi
Coordenador de programção musical e DJ da Rádio UFSCar

segunda-feira
1. First fires (Ft. Grey Reverend)
2. Emkay
terça-feira
3. Cirrus
4. Heaven for the sinner (Ft. Erykah Badu)
5. Sapphire
quarta-feira
6. Jets
7. Towers (Ft. Szjerdene)
quinta-feira
8. Don t wait
9. Know you
10. Antenna
sexta-feira
11. Ten tigers
12. Transits (Ft. Szjerdene)
13. Pieces (Ft. Cornelia)

 Revisão: Sheila Castro

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