Bibi Tanga & The Selenites – Dunja

Escrito por em 15/03/2010

Bibi Tanga & The Selenites

Bibi Tanga & The Selenites

É necessário conhecer um pouco da história de Bienvenu “Bibi” Tanga para entender a música dele. Nascido em Bangui, capital da República Central Africana e filho de diplomáticos, foi criado entre Paris, Mosca, Washington DC e Nova Iorque, até os dez anos de idade,  quando os seus pais se tornaram refugiados políticos, por causa do golpe de estado que aconteceu em seu país de origem, e se estabeleceram na capital francesa.

Com esta bagagem multicultural, Bibi começa a se aproximar do mundo da música. O pai tinha uma coleção de discos de vários artistas africanos: Franco and Tabu Ley, do Congo, Fela Kuti, da Nigéria, e Bembeya Jazz, da Guiné, entre outros. Morando na metrópole francesa,  tinha maior facilidade de ouvir  a música Black internacional, James Brown, Curtis Mayfield, Jimi Hendrix, Bob Marley e muitos outros começaram a fazer parte do universo musical do adolescente Bibi que, neste período, também aprende a tocar vários instrumentos: guitarra, baixo e saxofone.

Todas essas influências convergem em seu disco de estreia, em 2000, intitulado “Le vent qui soufflé”, produzido em colaboração com o lendário coletivo funky francês “Malka Family”.

Em 2003, Bibi Tanga conhece um personagem que seria fundamental na carreira dele: o músico, produtor e pesquisador musical, Professeur Inlassable (Professor Incansável), quem introduz elementos da música francesa popular (Edith Piaf, Jacques Brel e Serge Gainsbourg), além de contribuir na criação de panoramas musicais mais psicodélicos e hipnóticos.

Com a supervisão do professor, Bibi lança o seu segundo trabalho, intitulado “Yellow Gauze” no qual, num estilo peculiar e sem regras, se misturam elementos do Afrobeat, de Fela Kuti, o P-Funk, de George Clinton e Prince, e o Hip Hop, dos momentos mais psicodélicos dos De La Soul e Jazz.

Em 2009, Bibi Tanga está de volta aos estúdios de gravação sempre acompanhado do fiel Professor Inlassable e um trio de músicos chamado The Selenites (em um conto de H.G.Wells, os selenitas são os habitantes do lado obscuro da lua), formado por Arthur Simonini, no violino e teclado, Rico Kerridge, na guitarra, e Arnaud Biscay, na bateria.

Em abril do mesmo ano, é lançado o EP “It’s The Earth That Moves” o qual antecipa o álbum “Dunja”, que acabou de ser publicado pelo selo National Geographic.  Um disco que é um compêndio da música Black contemporânea pop e, ao mesmo tempo, de pesquisa de vanguarda, que abre com o funk elétrico e dançante, “The Moon”, para depois deslizar no soul abstrato de “Red Wine” e nas experimentações de “Swing Swing”, repleta de samples repetitivos  e hipnóticos.

Não faltam episódios nos quais as raízes afro emergem introduzindo ritmos repetitivos que nos levam a uma catarse espiritual-musical. “Dunja”, que no idioma da Republica Central Africana significa “existência”, é uma fusão de estilos e sonoridades, talvez já ouvidas, mas arranjadas de um jeito extremamente peculiar, criando um groove futurista completamente inovador.

Este disco já entrou na minha lista de dez melhores álbuns de 2010 e, sem dúvidas, não passará  despercebido pelo amantes da Black music e por todos aqueles que estão sempre a procura de um novo estimulante sonoro-intelectual  que abra as portas de novos horizontes livres de estereótipos comerciais.

Paz!
Mauro Lussi
Programador musical e DJ da
Radio UFSCar

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