Benji – Sun Kil Moon

Escrito por em 28/07/2014

A voz quente e profunda, os acordes simples e melodias minimalistas, permeadas de intensos sentimentos, são caraterísticas que sempre acompanharam o trabalho de Mark Kozelek.

Artista não muito conhecido, mas que ao longo da carreira conseguiu criar à sua volta um discreto numero de fãs que o acompanham fielmente desde o seu começo com os Red House Painters (banda formada no final da década de 80 na cidade de São Francisco), que se tornou referência do gênero chamado slowcore ou sadcore, vertente do rock alternativo caraterizada por o uso de melodias em tom menor, atmosferas rarefeitas e ritmos desacelerados com ênfase no lado instrumental.

Depois de uma década e quatro álbuns com a primeira formação, Mark Kozelek decide tentar um caminho solitário e grava um EP não muito bem sucedido, Rock ‘n’ Roll Singer. Na sequência, em 2002, forma os Sun Kil Moon e estreia com a nova formação em 2003, com o disco Ghosts of the Great Highway, recebido pela crítica e pelo público muito positivamente.

Até hoje já gravou 6 álbuns com essa formação, sendo o último deles Benji, lançado em fevereiro desse ano, que o confirma como um dos principais exponentes daquele folk rock obscuro e introspectivo, que nesta ocasião deixa de lado as sonoridades mais elétricas em troca de um som mais acústico, voltando assim às raízes da música popular americana contemporânea.

Kozelek sofre muita influência de clássicos e novos exponentes do folk, mas mantendo a própria identidade, da qual sempre emerge o lado mais intimista, cheio de menções autobiográficas explícitas. Começando pelo titulo do álbum, Benji, inspirado por um filme com temática infantil de 1974 que tem como protagonista um cachorro que resolve um caso de sequestro de crianças; trazendo a Mark lembranças de uma infância feliz e inocente antes de entrar na adolescência cheia de problemas existenciais, somatizados por um uso excessivos de drogas e as suas dolorosas consequências.

O cinema é presente também em I Watched The Film The Song Remains The Same, que se refere ao álbum gravado ao vivo em 1973 do Led Zeppelin, e ao sucessivo registro audiovisual lançado em 1976, que Mark, fã declarado de hard rock, usa como meio para sentir as mesmas emoções que o marcaram na juventude, num exercício de meditação sobre a melancolia.

A faixa “Dogs”, um enérgico folk rock no qual emerge de maneira clara a influência do mestre Neil Young, é um grito de desespero que morre sufocado na garganta, uma reflexão profunda sobre aqueles momentos que marcam a nossa vida e que nos acompanharão para sempre, cicatrizes que nunca desaparecerão.

Benji é um disco que mexe com os sentimentos comuns a todos nós: tristeza, nostalgia, perdas, impotência na frente do tempo que se acelera exponencialmente, deixando um rastro de memórias confusas, arrependimentos e momentos felizes que nunca voltarão como nós os recordamos. Mas também é um disco musicalmente intenso nas vibrações das cordas das guitarras, que se sobrepõem, tecendo mantras à beira de um resignado desespero.

Paz!

Mauro Lussi

coordenador de Programação Musical e DJ da Rádio UFSCar

Segunda-feira

1. Carissa

2. I Can’t Live Without My Mother’s Love

 Terça-feira

 3. Truck Driver

4. Dogs

Quarta-feira

 5. Pray For Newtown

6. Jim Wise

 Quinta-feira

 7. I Love My Dad

8. I Watched The Film The Song Remains The Same

 Sexta-feira

9. Richard Ramirez Died Today Of Natural Causes

10. Micheline

11. Ben’s My Friend


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