Belle and Sebastian – Girls in Peacetime Want To Dance

Escrito por em 09/03/2015

Com quase vinte anos nas costas e uma discografia que já contabiliza nove álbuns, o grupo norte-americano liderado por Stuart Murdoch, aquele cujo indie pop característico de letras agridoces, por horas soturnas, e composições “fofinhas” contrastantes rendeu uma base de fãs bastante fiel no público alternativo, o Belle And Sebastian, quebra seu hiato de cinco anos sem um disco de inéditas para lançar Girls In Peacetime Want To Dance, e, embora o álbum leve algumas surpresas bem agradáveis ao que se conhecia da banda, ainda carrega aquela marca familiar da banda.

Não me leve a mal, a familiaridade é bem positiva. Principalmente vinda de um grupo cujos três últimos trabalhos soaram extremamente inconsistentes. Stuart Murdoch conseguiu, com Girls In Peacetime Want To Dance, fugir do ostracismo estilístico tão comum nesses grupos grandes, com muitos anos de história, e manter a essência que apelou tanto para seus fãs em primeiro lugar. Então não se assustem quando eu digo que o álbum novo flerta com o europop e o Pet Shop Boys em igual medida. A maior influência do Belle And Sebastian em “Girls…” continua sendo o próprio Belle And Sebastian, prova disso é “Today”, twee pop melancólico bem característico da banda, colocada estrategicamente no final do disco de forma a lembrar que sim, o grupo ainda sabe fazer o que faz de melhor.

Mas o lançamento de The Third Eye Centre, compilação de remixes que saiu em 2013, certamente teve um impacto na forma como Murdoch encara suas composições. O europop, como eu disse, figura em peso por aqui, com faixas carregadas por sintetizadores e batidas eletrônicas animadas como “The Party Line” e “Enter Sylvia Plath”, singles e potenciais hits do disco, fabricadas sobre medida para animar as pistas de dança indies do mundo todo, e figuram um Belle And Sebastian surpreendentemente familiar com o formato. Esse flerte é um sopro de ar fresco na sonoridade de uma banda que vinha buscando por isso há tempos, e por ser tão bem executado, merece destaque (“Perfect Couples”, por exemplo, poderia figurar em  Reflektor, último do Arcade Fire, sem problema algum). Ao mesmo tempo, fãs de longa data vão se aliviar em saber que Murdoch continua tão afiado em seu lirismo como sempre. Girls In Peacetime Want To Dance é esperto também em alternar entre a recém descoberta nova sonoridade do grupo e composições que facilmente se encaixariam em seus lançamentos anteriores. Esse contraste mantém as coisas interessantes ao longo da experiência do álbum, convidando o ouvinte a comparar figurinhas entre antiga e nova encarnação da banda, além de garantir que os mais puristas ainda vão achar faixas sólidas para se apegarem, como é o caso de “The Everlasting Muse”, que poderia muito bem aparecer no meio de If You’re Feeling Sinister sem ser notada.

Dito isso, é bom saber que um grupo tão querido quanto o Belle And Sebastian achou novo fôlego para se reinventar, mesmo após 20 longos anos de uma carreira muito bem sucedida, sem também negar aos fãs o que os fizeram curtir o grupo em primeiro lugar. Girls In Peacetime Want To Dance é um disco de transição, e muito bem executado para o que se propõe.

 

Henrique Gentil

Estagiário em Aúdio na Rádio UFSCar

 

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 16h, na Rádio UFSCar

 

Segunda-feira

  1. Nobody’s Empire
  2. Allie
  3. The Party Line

Terça-feira

  1. The Power Of Three
  2. The Cat With The Cream

Quarta-feira

  1. Enter Sylvia Plath
  2. The Everlasting Muse
  3. Perfect Couples

Quinta-feira

  1. Ever Had a Little Faith?
  2. Play For Today

Sexta-feira

  1. The Book Of You
  2. Today (This Army’s for Peace)
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