Arcade Fire – The Suburbs

Escrito por em 18/08/2010

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The Suburbs é o terceiro disco da banda canadense Arcade Fire. Depois de dois dos melhores álbuns da década – Funeral, de 2004 e Neon Bible, de 2007 -, chega o momento do esperado e crucial terceiro álbum, conhecido pela característica de “momento da verdade” para a maior parte das bandas que são consideradas geniais no momento de seu surgimento.

Composto por 16 faixas de instrumentação já conhecida dos amantes do Arcade Fire – mistura de guitarra, baixo e bateria com a adição de elementos incríveis como o violino, acordeon, órgão e piano – The Suburbs encontra a maturidade tão buscada por todas as grandes bandas em seu terceiro disco.

A faixa-título já dá pistas do que vem pela frente. Revisitando o passado de infância e adolescência nos subúrbios de Montreal, mescla perfeitamente a melancolia sombria de Win Butler e a esperança leve de Régine Chassagne. Entre os nostálgicos comentários sobre o passado e a doce excitação pelo futuro que começa agora, está o casal fundador da banda e o equilíbrio de The Suburbs.

Outra característica importante de frisar sobre as letras do disco é a recorrência de temas e até mesmo de versos. Ready to start traz a amargura das contradições da arte e do sucesso comercial; Modern Man começa a explicitar o tom oitentista que carrega o álbum; e Rococo é bem-humorada e bizarra, à la Chassagne, que chega de vez em Empty Room, solidão gritada do âmago do ser até chegar a uma declaração de amor dolorosa – Toute ma vie est avec toi, Moi j’attends, toi tu pars. Half Light I é quase uma canção de ninar cantada em uníssono pelo casal, em tom de volta à infância – mais uma vez. Suburban War retoma a temática das amizades perdidas do subúrbio, retomando versos inteiros da faixa inicial; e Month Of May, a primeira faixa a ser lançada, tem uma energia punk que, mais uma vez, nos leva aos anos 80, referência clara também nos sintetizadores que aparecem aqui e ali durante as 16 canções.

Deep Blue é a segunda melhor faixa, mais uma sobre a dor das máquinas em primeiro plano em relação à humanidade, aqui remetendo à derrota de Kasparov, campeão mundial de xadrez, para o supercomputador desenvolvido pela IBM em 1996. Para finalizar, Sprawl I e Sprawl II são dois lados do Arcade Fire, a primeira com Butler em toda sua melancolia dolorida e “emoções mortas”, mas que são compensadas com a complexa e incansável beleza trazida por Régine Chassagne e sua inocência madura.

O disco constrói seu próprio conceito de subúrbios de seu início até o final – com o “comentário” The Suburbs (continued), retomando a faixa-título inicial para transformá-la em despedida, explicitando que desperdiçaria todo o tempo perdido de novo e de novo. E é aí que o discurso do Arcade Fire se torna consistente. Apesar de tudo, todos faríamos tudo de novo. A história da humanidade. E nós damos o play de novo, mais uma vez. São álbuns assim que nos fazem viver “apesar de” – nos dão esperança. Obrigada, Arcade Fire.

Yasmin Muller
Programadora Musical da Rádio UFSCar
@djyasmina

Lista das músicas que você ouve durante toda a semana, às 16 horas.

Segunda – feira
1. “The Suburbs”
2. “Ready To Start”
3. “Modern Man”

Terça – feira
4. “Rococo”
5. “Empty Room”
6. “City With No Children”

Quarta – feira
7. “Half Light I”
8. “Half Light II (No Celebration)”
9. “Suburban War”

Quinta – feira
10. “Month of May”
11. “Wasted Hours”
12. “Deep Blue”

Sexta – feira
13. “We Used to Wait”
14. “Sprawl I (Flatland)”
15. “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”
16. “The Suburbs (Continued)”

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