Arcade Fire – Reflektor

Escrito por em 03/11/2013

Não é uma surpresa que Reflektor seja uma experiência sonora incrível! Uma cachoeira esmagadora de sons de fina qualidade e originalidade, arranjados com maestria.

Depois de uma década e três discos super elogiados, a formação canadense está de volta com a mesma energia criativa da estreia de Funeral, disco que para todos os amantes da música, com M maiúsculo, marcou o nascimento das inúmeras tendências que nos anos seguintes se tornaram referências até hoje. Mais ou menos a mesma situação que ocorreu na década de 80, laboratório de experiências de uma nova linguagem, ainda em estado embrionário, que se tornou ponto de partida para muitas bandas.

Como  muitos discos lançados recentemente, Reflektor  também construiu uma complexa campanha de marketing que começou em setembro e terminou na semana passada, quando o álbum completo foi postado no YouTube, acompanhado da uma sequência de imagens do filme Black Orpheus, de 1959, dirigido por  Marcel Camus.

Coproduzido pela banda em parceria com o líder LCD SoundSystem James Murphy, o disco duplo é dividido em duas partes distintas, a primeira mais impactante, com ênfase nas batidas simples e nas melodias cativantes que flertam com um pop bem acessível, nos lembra muito os anos 80 com um forte apelo às pistas de danças, como no primeiro single “Reflektor”, faixa titulo, e a sucessiva “We Exist”, tudo mantendo aquela riqueza de sons sofisticados, selo de qualidade da formação. Em seguida, na música “Flashbulb Eyes” os ecos dos beats reggae dub surgem em meio a barulhos eletrônicos e se consumam nos sons de uma periferia tropical ensolarada, em que o orgânico instrumental e os acordes sintéticos somam-se aos ritmos que prenunciam uma noite animada na faixa “Here Comes the Night Time”, que culmina numa atmosfera festiva, com direito ao público se manifestando. O restante do primeiro disco brinca com muita classe e extrema elegância entre o rock e o folk e termina com a épica “Joan of Arc” que nos introduz ao segundo disco.

Já das primeira notas de “Here Comes the Night Time II” dá para entender que estamos explorando territórios mais surreais, a noite chega deslizando sobre um tapete sonoro, num crescente que nos deixa, de repente, num vazio inesperado no qual uma batucada primitiva marca a tribal “Awful Sound (Oh Eurydice)” que depois de um carregado e dramático desenvolvimento deixa o espaço, repentinamente, para  “It’s Never Over (Oh Orpheus)”, uma declaração, assim é a resposta de Euridice a seu namorado Orfeu, perdido para sempre, tentando resgatá- la do Hades por ter ousado a se virar para trás e olhar para a amada.

Talvez, neste segundo disco, os Arcade Fire dão um sentido aos muito sinais que nos levam ao mito grego do Orfeu e Eurídice, ao começar pela capa que é uma fotografia da estátua Orfeu e Eurídice de Auguste Rodin, até as citações nos títulos das musicas e as imagens que acompanham o longo teaser do álbum que encontramos  completo na Internet.
Nas faixas restantes do disco talvez é mais presente a figura de James Murphy, que dá aquele toque inconfundível não nas melodias ou na texturas eletrônicas, mas nos arranjos que lembram o extinto LCD.

De uma coisa eu tenho certeza, que todo o mundo que ouvirá Reflektor será envolvido neste jogo de descobrir, nos cantos mais remotos da memória, todas as referências e citações que estão no disco, não por acaso, mas que foram colocadas intencionalmente, pequenos detalhes que para os ouvidos mais treinados faz dos Arcade Fire uma das bandas mais inovadoras que já entrou pela porta principal e com muito mérito na historia da música!

Paz!

Mauro Lussi
Coordenador de Programação musical e DJ da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1. Reflektor
2. We Exist
3. Flashbulb Eyes
terça-feira
4. Here Comes the Night Time
5. Normal Person
quarta-feira
6. You Already Know
7. Joan of Arc
8. Here Comes the Night Time II
quinta-feira
9. Awful Sound (Oh Eurydice)
10. It’s Never Over (Oh Orpheus)
11. Porno
sexta-feira
12. Afterlife
13. Supersymmetry

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