Amanda Palmer & The Grand Theft Orchestra – Theatre Is Evil

Escrito por em 17/09/2012

“Senhoras e senhores, como posso cortar meus pulsos quando eu não posso parar de dançar?” Sem remorso e totalmente perdidos, direto da cidade de Nova York: THE GRAND THEFT ORCHESTRA! – É assim que a nova banda de Amanda Palmer é apresentada ao público, em alemão, pelo megafone. A faixa “Smile (Pictures or It Didn’t Happen)” faz juz ao título de “orquestra”: começa com uma introdutória virada de bateria,  os sintetizadores logo tomam conta da paisagem sonora preenchendo todos os espaços possíveis com arranjos orquestrais, enquanto Palmer lança vocais poderosos claramente inspirados em David Bowie. É uma música grandiosa que marca um ótimo início do trabalho mais pretensioso da punk de cabaret.

Theatre Is Evil causou impacto antes mesmo de ser lançado: a banda conseguiu o impressionante feito de arrecadar, pelo site Kickstarter, 1,2 milhões de dólares doados pelos  fãs para financiar o disco e a turnê. Sim, os fãs de Palmer são assim, devotados.

São quatro anos sem um álbum completo da cantora, que lançou o último álbum do Dresden Dolls, No… Virginia e seu primeiro – e bem sucedido – álbum solo, Who Killed Amanda Palmer? em 2008, o sucesso da campanha nem pareceu uma surpresa. O fato é que Amanda Palmer é famosa pelo contato que mantém com os fãs, pois sabe fazer bom uso das mídias sociais para se promover.

A pegada teatral que o próprio nome do álbum sugere marca cada uma das 15 faixas. Por trás de toda letra há uma história diferente, narrada de forma divertida, com altas doses de ironia e humor negro. Palmer não tem medo de auto-referências: a mesma mulher que em “Who Killed Amanda Palmer?” fez um ensaio fotográfico no qual se fazia de morta, em “The Killing Type” confessa que não teria coragem de matar alguém, isso até que o final da música é permeado por gritos “DIE !DIE! DIE!” (MORRA! MORRA! MORRA!) isso entrega que, talvez, ela tenha perdido o controle, além da pegada pop-rock alternativo não condizer nem um pouco com o que está sendo cantado, mas isso já faz parte do humor peculiar de Palmer.

“Do It With a Rockstar” é uma das faixas mais fortes do álbum, guiada pela bateria nervosa, pela cativante performance vocal de Amanda  contando a história de uma rockstar ninfomaníaca rejeitada que pergunta “Do you wanna dance? / Do you wanna fight? / Do you wanna get drunk and stay the night?” (Você quer dançar? / Você quer lutar? Você quer ficar bêbado e passar a noite?) e a resposta, surpreendentemente, é negativa. Logo depois a música se desdobra num refrão que, certamente, fará estádios cantarem em uníssono: “Do you really wanna go back home / When you could do it with a rockstar?” (“Você realmente quer voltar pra casa / quando você pode fazer “isso” com uma rockstar?”). É… aprendemos que não se diz não a Palmer.

A pegada synth pop de “Smile” parece voltar com “Want It Back”, mas logo dá lugar a uma levada dançante de piano e mais um refrão pegajoso. “Grown Man Cry” vem  cheia de sintetizadores e vocais no melhor estilo Depeche Mode. A gigante “Trout Heart Replica” é uma linda balada guiada pelos vocais sentimentais da cantora e seu piano  que recebem a ajuda de um arranjo de cordas reminiscentes do clássico álbum do Smashing Pumpkins, Mellon Collie and the Infinite Sadness. A influência não para por aí, pois logo em seguida temos uma espécie de “interlúdio” (a instrumental “A Grand Theft Intermission”) que  também lembra muito essa fase orquestral dos Pumpkins.

Na segunda metade do disco o piano assume o primeiro plano. “Lost” é simples e empolgante, com uma bateria bem marcada que anima bastante as coisas. Entretanto, o que sucede “Lost” são as baladas cabisbaixas “Bottom Feeder” e “The Bed Song”, embora sejam lindas sozinhas, prejudicam um pouco o andamento do álbum por estarem próximas. “Massachusetts Avenue” e “Melody Dean” marcam a volta das guitarras e dos sintetizadores renovando as energias para um final triunfante. “Berlin” não deixa a bola cair com seu arranjo épico que culmina em “Olly Olly Oxen Free”, uma faixa que sumariza o disco: pomposa, teatral e épica.

Por fim, Theatre Is Evil é um bom sucessor do excelente Who Killed Amanda Palmer? e seguramente não vai decepcionar os fãs. A nova banda de apoio é incrível, versátil e com certeza, as músicas desse novo álbum vão dar um belo show ao vivo. É pra lotar estádio!

Henrique Gentil,
Bolsista da Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar:

segunda- feira
1. Smile (Pictures or It Didn’t Happen)
2. The Killing Type
terça-feira
3. Do It With a Rockstar
4. Want It Back
5. A Grown Man Cry
quarta-feira
6. Trout Heart Replica
7. A Grand Theft Intermission
8. Lost
quinta-feira
9. Bottom Feeder
10. The Bed Song
11. Massachusetts Avenue
sexta-feira
12. Melody Dean
13. Berlin
14. Olly Olly Oxen Free

Revisão: Sheila Castro

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