Alabamas Shakes – Boys & Girls

Escrito por em 12/11/2012

Alguns discos são lançados e passam despercebidos devido à correria do dia -a- dia e, quando você realmente passa a ouvi-los, se questiona o porquê de não ter feito isso antes. Foi o que aconteceu, por alguma pegadinha de mal gosto, eu não havia dado o devido valor ao debut álbum do Alabama Shakes, intitulado Boys & Girls.

Quando Britanny Howard, guitarrista e vocalista, resolveu começar uma banda em 2009, mal imaginava qual seria a repercussão que teria: O Alabama Shakes realmente remexeria o mundo musical, com o perdão do trocadilho.

Formada por Howard, Heath Fogg (guitarra), Zac Cockrell (baixo) e Steve Johnson (bateria), o quarteto lançou seu primeiro álbum, Boys & Girls, em abril desse ano. Segundo Britanny, o lançamento do disco era o maior objetivo que tinha em mente e, felizmente, não foi isso que aconteceu: de Athens, cidadezinha de 20 mil habitantes no interior do Alabama, os Shakes começam a ganhar o mundo.

Numa mistura de classic rock, que vai desde Led Zepellin e Lynyrd Skynyrd ao soul e o R&B impregnados na voz de Howard e, ainda com uma pitada de rock sulista dos EUA, o Alabama Shakes conseguem agradar tanto aos novos como os antigos apreciadores do estilo musical que teve origem lá nos anos 50.

Do mais saudosista – e às vezes chato – ouvinte que, a todo momento, afirma “que não se faz mais música como antigamente” até o indie rocker que começa a enxergar que existe muito mais coisa do que Arctic Monkeys: todos ficam surpreendidos com a força que o quarteto liderado por Howard tem, ficam impressionados como as músicas se desenvolvem e refericiam-se às décadas áureas de 70 e 80 e ainda conseguem ser contemporâneas.

Vejam bem: Alabama Shakes não inova em quase nada, (os Black Keys também fazem algo parecido, e por alguma razão também me lembra um pouco a sonoridade do disco Robbers & Cowards, do Cold War Kids) mantendo-se coeso e inquestionavelmente coerente da primeira a última faixa do disco e, é justamente esse acerto, essa fórmula conhecida e muito bem executada por eles que transforma o álbum em algo realmente bom de se ouvir.

As faixas são um deleite e ouso dizer que  a Teoria Gestalt encontraria um sério problema: O todo é maior que a soma de suas partes? Sim, mas cada faixa de Boys & Girls consegue ser minimanente um universo em si própria e que ouvi-las avulsas tem quase – friso, disse quase – o mesmo valor do LP todo.

“Hold On”, faixa de abertura, mostra ao que a vocalista veio, cantando notas longuíssimas sem desafinar e arrepiando algum ouvinte desatento, da mesma forma que “Be Mine”, nos surpreende com seus gritos ensandecidos. Uma Aretha Franklin ou uma “Amy Winehouse saudável” (como vi por aí), não importa, Britanny Howard com seus vocais e guitarras dá ao quarteto alma e coração, de forma que não é possível imaginar o grupo sem sua presença.

Se você procura algo novo para ouvir, essa é uma boa pedida. Se quer relembrar o bom e velho rock ‘n roll sulista, também. Ah, os caras vem pro Brasil no ano que vem, ainda dá tempo de decorar as músicas pro show.

Diego Paulino
Estagiário em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar:

segunda-feira
1. Hold On
2. I Found You
terça-feira
3. Hang Loose
4. Rise To The Sun
quarta-feira
5. You Ain’t Alone
6. Goin’ To The Party
quinta-feira
7. Heartbreaker
8. Boys & Girls
sexta-feira
9. Be Mine
10. I Ain’t The Same
11. On Your Way

Revisão: Sheila Castro

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