ADULT JAZZ – GIST IT

Escrito por em 08/09/2014

Em tempos de internet e saturação de produção musical, independente e mainstream, é raro ver uma banda que não se utiliza da rede para divulgar seu trabalho. E esse é o caso dos ingleses da Adult Jazz, quarteto que mistura influências do jazz, do folk e do post rock para fazer um som bastante atual e diferente em seu disco de estreia Gist It.

Devido à sua tímida presença virtual e sua produção totalmente independente, não é fácil achar muitas informações da banda. Não existe site nem facebook oficial (apenas uma fanpage) e suas músicas só são encontradas em sites de streaming. Levando isso em conta, é um feito considerável que eles tenham atingido um certo sucesso entre os caçadores de música indie de plantão, mostrando que ainda é possível ter público mesmo fora da internet.

Mas vamos falar de música. Adult Jazz é um desses grupos difícil de definir. Talvez um dia nós encontremos uma tag para encaixar todos esses artistas que misturam influências e elementos diversos, com uma pegada bem contemporânea, mas ainda não chegamos lá. Por isso, o que dá pra fazer é apontar esses elementos musicais na produção da banda. Adult Jazz, por mais que o nome sugira, não trabalha tanto com o jazz assim. Sim, o experimentalismo e a brincadeira com sons atonais está presente, mas o improviso que tanto consagra o gênero não aparece. Mas isso não é uma coisa ruim, a banda ousa bastante nos outros aspectos para se dar ao luxo de deixar o improviso de lado (ou quem sabe pra uma próxima produção). Gist It tem nove faixas, mas é um disco com faixas longas. “Hum” tem sete minutos, enquanto muitas outras giram em torno dos cinco. Essa música, inclusive, é uma das mais experimentais que encontramos. Com uma atmosfera onírica, vai crescendo lentamente de um vocal em falsete solitário quase mântrico até, lá pela metade, encontrar os outros instrumentos e ganhar uma cara quase épica.

Continuando a falar das faixas, uma das mais interessantes é a “Idiot Mantra”. Assim como o nome remete a algo oriental, também encontramos elementos musicais orientais na música, com destaque para a cítara. Mas o destaque do disco, na minha opinião, fica pro blues/dream pop “Springful”. Talvez seja pela clareza dos vocais e o uso parcimonial dos falsetes (não sou muito fã das vozinhas agudas forçadas – o que é bem chato, porque tá todo mundo usando), ou talvez pela combinação de dois estilos musicais bem distintos, que cria um encerramento perfeito para o disco. A faixa também tem um crescimento interessante, incorporando instrumentos diversos em seu decorrer, e terminando numa atmosfera bastante animada, se compararmos com o resto do disco.

Outros artistas bem conhecidos trabalham com experimentações similares. Gente como Bon Iver, St. Vincent e Alt-J (semelhantes até nas iniciais, nesse caso). Também são desses difíceis de classificar, justamente por ter uma sonoridade única e levar os elementos musicais a lugares inusitados. A diferença, talvez, é que o Alt-J e a St. Vincent (em alguns trabalhos), conseguiram atingir um nível em que suas músicas soam um pouco mais pop, mais acessíveis. Adult Jazz ainda está em fase de fritação. Pode ser que, eventualmente, seu som passe a soar mais fácil, mas por enquanto o quarteto ainda voa livremente pela terra da experimentação.

Diana Ragnole, estagiária em Programação Musical.

A seguir, a lista de músicas que vão ao ar de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar.

Segunda-feira

1- I Am Gone

2- Be A Girl

Terça-feira

3- Bonedigger

4- Done Tongue

Quarta-feira

5- Hum

Quinta-feira

6- Idiot Mantra

7- Pigeon Skulls

Sexta-feira

8- Spook

9- Springful


Opinião dos Leitores

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos Obrigatórios *


Rádio UFSCar

Tocando agora
TITULO
ARTISTA