Moby – Innocents

Escrito por em 30/09/2013

Entrando num terreno mais melancólico, experimental e até um pouco épico, o músico norteamericano Moby lança este ano seu mais recente disco, Innocents. Trata-se de um disco sóbrio, no sentido mais literal da palavra, uma vez que o músico teve problemas com o alcoolismo durante os anos 90 e 2000, mas decidiu parar de beber há 6 anos atrás.

Innocents levou dois anos para ficar pronto, todo feito no estúdio caseiro do músico e sem pressa. Wayne Coyne, Mark Lanegan e Cold Specks são alguns dos nomes que participam do disco, foram escolhidos não só pelas suas vozes excepcionais, mais também pela peculiaridade de cada timbre, eles protagonizam as melhores faixas do álbum.

Cold Specks, banda liderada pela Al Spx, vocalista somali-canadense, dá voz ao single “A Case For Shame”, uma música que valoriza mais o aspecto soul das vozes, de forma que a instrumentação eletrônica de Moby fica com o papel de complementar a atmosfera da faixa, num casamento perfeito. Cold Specks ainda reaparece no final do disco, na faixa “Tell Me”, com uma vibe mais dream.

Mark Lanegan ficou com a “The Lonely Night”, uma das faixas mais soturnas do disco, na qual sua voz rouca é acompanhada de um coral feminino melancólico que dá um aspecto quase sombrio à música o que combina bem com a escolha do intérprete.

A faixa “The Perfect Life” é o alívio sonoro do disco, a faixa mais animada, se comparada com as outras músicas. E quem dá voz à composição é o vocalista da Flaming Lips, Wayne Coyne. A faixa começa com um coral, que reaparece no refrão, dando um tom eletrônico épico que é a cara do trabalho do Flaming Lips. Além disso, a canção ainda tem um aspecto de celebração bem positivo, e um videoclipe que reforça essa característica.

Innocents conta ainda com outras diversas parcerias, nas quais Moby seleciona muito bem o estilo das faixas, a fim de combinar com o estilo dos intérpretes, e sem medo de deixar suas instrumentações eletrônicas em segundo plano, valorizando assim a parceria em seu máximo. Mas Moby não deixa de brilhar no disco, as faixas instrumentais que permeiam o trabalho enfatizam o clima melancólico e sóbrio e ainda carregam um aspecto experimental e épico, com orquestrações de fundo.

Neste ano, Moby disponibilizou seu catálogo em creative commons, liberando legalmente seu trabalho para ser utilizado por quem quiser. Uma iniciativa inspiradora, que deveria ser seguida por demais artistas, a fim de não se limitar as possibilidades criativas da música. E é em uma era em que pouca gente compra disco em formato físico, que Moby lança seu mais recente trabalho. Em uma entrevista à Rolling Stone, Moby afirma que se sente emancipado do mercado fonográfico e entende o sucesso como algo relativo. Ele não vê necessidade em ter que vender milhões de cópias para se sentir satisfeito. Do seu ponto de vista, Innocents é um disco de sucesso, pois é feito com dedicação e honestidade e se um ouvinte que seja gostar das suas músicas, já é suficiente.

Diana Ragnole
Estagiária em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 16h15, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1. Everything That Rises
2. A Case For Shame (with Cold Specks)
terça-feira
3. Almost Home (with Damien Jurado)
4. Going Wrong
quarta-feira
5. The Perfect Life (with Wayne Coyne)
6. The Last Day (with Skylar Grey)
quinta-feira
7. Don’t Love Me (with Inyang Bassey)
8. A Long Time
9. Saints
sexta-feira
10. Tell Me (with Cold Specks)
11. The Lonely Night (with Mark Lanegan)
12. The Dogs

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