Bonobo – Black Sands

Escrito por em 30/03/2010

BONOBO – BLACK SANDS

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Bonobo é o nome que se dá a uma espécie de chimpanzé, antes chamado chimpanzé pigmeu, anão ou grácil. Suas características são a cultura matriarcal e igualitária, na qual o sexo e a reprodução não estão diretamente ligados. O sexo faz parte do cotidiano dos bonobos e é parte essencial de sua vida social. Curiosamente, estudos genéticos apontam que são os animais mais próximos dos seres humanos.

Já Simon Green, aka Bonobo, acaba de lançar seu esperadíssimo quarto álbum, Black Sands, pelo nosso querido selo inglês Ninja Tune – o mesmo de nomes como Daedelus, The Cinemactic Orchestra, Spank Rock, Roots Manuva e DJ Vadim. Depois de dois primeiros álbuns que se calcavam no estilo trip-hop mais comum, em 2006, Bonobo lançou Days to Come, disco que o colocou de vez entre os nomes mais interessantes dentro dos experimentos eletrorgânicos influenciados pela batida do hip hop e do funk.

Quatro anos depois, o produtor e dj inglês (que também responde pelo nome Barakas) nos presenteia com um álbum novo, atingindo aqui uma incrível transcendentalidade com suas texturas e harmonias. Em suas 12 faixas, nota-se a presença cada vez mais de instrumentação acústica, além das já tradicionais bases e programações eletrônicas. Se em 2006, a responsável pelos vocais era a indiana Bajka, agora Green apadrinha a jovem e também inglesa Andreya Triana, que contribui em três faixas do disco e intensifica o fator de uma certa sensualidade elegante já presente no disco.

O disco abrange elementos variados, desde o dubstep, o jazz, e afro-psicodelia-downtempo, passando por elementos melódicos orientais e o soul das canções, com Triana presente de corpo e alma. Entretanto, em momento algum, o disco deixa de ser “emocional”, no melhor sentido da palavra. São os sentimentos que têm algo a dizer no disco, se utilizando da forma menos verbal possível.

Green inventou de se chamar Bonobo por uma razão. Ele eleva o “trip-hop”, estilo conhecido por sua sonoridade relacionada à sedução e a sexualidade, a algo para além do corporal. No caso dos humanos, a questão não é entre sexo e reprodução. É entre sexo e espírito. E aqui Bonobo atinge uma beleza quase espiritual, sem deixar de se relacionar com a sensualidade e com o corpo. Desafio todos a escutarem a faixa Animals – olha só o nome – e tentar ouvir o que está nas entrelinhas. Em seguida, com Black Sands finalizando o disco, vem uma melancolia tão bonita que só dá vontade de olhar pro mundo de novo e de novo e sempre diferente.

Yasmin Muller
Radialista e DJ da Rádio UFSCar
@djyasmina

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