Viagem Cultural

Escrito por em 21/01/2019

De segunda à sexta, às 09h, com apresentação de Priscila Paladino (de 21/2 a 22/2). A partir do dia 25/2, apresentação de Vanessa Torres.


Sua dica diária de cultura brasileira neste verão.

Viagem Cultural #24 – “A Hora da Estrela” (1977), de Clarice Lispector

Destino: Rio de Janeiro, RJ

Capa do livro A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, lançado em 1977.

Nesta edição do Viagem Cultural, voltamos à cidade do Rio de Janeiro para falar de um dos livros mais clássicos da consagrada Clarice Lispector, A Hora da Estrela.

O romance narra a história de Macabéa, datilógrafa alagoana que decide migrar para a capital fluminense em busca de uma vida melhor. A história é contada pelo narrador fictício Rodrigo S.M. e mostra o Rio de Janeiro em perspectiva diferente da cidade maravilhosa: para Macabéa, a cidade é mais perigosa e distante do que ela inicialmente imaginava. A personagem representa a ingenuidade de uma vida mais simples e ela encontra muitas dificuldades na cidade grande.

O livro se distancia do restante da obra de Clarice Lispector por ter um estilo mais objetivo e narrativo, ao contrário de suas obras influenciadas pelo texto em fluxo de consciência. Ainda assim, é caracterizado por romance e delírio, e considerado um livro sobre o desamparo social.

A Hora da Estrela também foi adaptado para o cinema pela diretora Suzana Amaral, em 1985, considerado um dos melhores filmes brasileiros, com prêmios de Melhor Direção no Festival de Havana e Prêmio da Crítica e de Melhor Atriz para Marcélia Calixto, no Festival de Berlim.

O livro de Clarice Lispector, publicado originalmente em 1977, é atualmente editado pela Rocco, e o filme de Suzana Amaral, disponível em DVD, tem classificação indicativa de 14 anos. Nesta edição. também apresentamos a canção A Hora da Estrela, composição de Pedro Sá Moraes e João Cavalcanti, interpretada por Luiza Borges. Confira abaixo a música:

Viagem Cultural #23 – “Beira-Mar” (2015), de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon

Destino: Litoral Gaúcho, RS

Pôster do filme Beira-Mar, lançado em 2015.

Nesta edição do Viagem Cultural, voltamos ao Rio Grande do Sul para apresentar o filme Beira-Mar, dirigido pela dupla Filipe Matzembacher e Márcio Reolon. O filme, lançado em 2015, conta a história da amizade entre Martin e Tomaz, que estão no litoral gaúcho a visita de familiares e tem a chance de se reaproximar. No final de semana juntos, acabam descobrindo nuances sobre suas sexualidades.

Beira-Mar conta, de forma delicada, a relação dos dois adolescentes e teve repercussões positivas em festivais em Berlim, na Alemanha, e pelo Brasil. O filme foi rodado em 30 dias na cidade de Capão da Canoa, no litoral do Rio Grande do Sul. O município é um dos principais destinos de praia do estado e tem população de cerca de 50 mil habitantes. O filme mostra as praias gaúchas em tons de cinza e de mar escuro, absorvendo a atmosfera pacata da cidade e do processo de descoberta das personagens.

Beira-Mar está disponível em DVD, tem 83 minutos e classificação indicativa de 14 anos. Na edição, também apresentamos duas faixas da trilha sonora do filme: a canção Apartamento, da paulista Stela Campos e Xingu, da banda NoPorn. Abaixo você confere o trailer do filme:


Viagem Cultural #22 – “Brincando nos Campos do Senhor” (1991), de Hector Babenco

Destino: Amazônia, PA

Pôster em inglês de Brincando nos Campos do Senhor, lançado em 1991, com o títutlo de At Play in the Fields of the Lord.

Nesta Viagem Cultural, fomos até a Amazônia (paraense e venezuelana), palcos de gravação do filme Brincando nos Campos do Senhor, dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco e lançado em 1991.

O filme conta a história de um casal de missionários americanos que vai à Amazônia com a missão de catequizar grupos indígenas. A experiência não dá certo e essa trajetória é contada em um filme épico de mais de três horas.

Brincando nos Campos do Senhor é baseado em romance homônimo do escritor Pieter Matthiessen, foi gravado parcialmente na Venezuela e no estado do Pará, e conta com grande elenco, incluindo as atrizes Kathy Bates e Daryl Hannah.

A história traz uma crítica da intervenção do branco nas culturas e costumes dos povos indígenas. Entre outras repercussões, sua trilha sonora, composta em parceria com a cantora, compositora e pesquisadora musical Marlui Miranda, foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora Original.

Disponível em DVD, com 190 minutos e classificação indicativa de 18 anos. Confira abaixo o trailer do filme:


Viagem Cultural #21 – Música de Florianópolis

Destino: Florianópolis, SC

Capa do álbum A Bossa Moderna de Luiz Henrique,de Luiz Henrique Rosa, de 1963.

Nesta Viagem Cultural, fomos de uma ilha (São Luís) a outra (Florianópolis) para apresentar as músicas populares catarinenses, com três artistas diferentes.

O primeiro deles foi Luiz Henrique Rosa, ícone da bossa nova, compositor e intérprete de Florianópolis, canção marco do gênero fora do eixo carioca. Lançada em 1968, já com o gênero bem estabelecido no Brasil e até mesmo mundo afora, a canção narra as belezas da cidade.

A canção é um exemplo da mistura que marca muito a cultura musical florianopolitana. Ao longo do século passado, e principalmente nas últimas décadas, vários artistas e bandas apareceram na ilha com mistura de ritmos, com ênfase no reggae, no rock, no samba e na MPB.

Um desses exemplos é o Dazaranha, grupo de rock-reggae estabelecido no início da década de 1990, um dos mais conhecidos de Santa Catarina, que alcançou sucesso nacional com o álbum Tribo da Lua, que continha os hits “Vagabundo Confesso” e participação de Jorge Ben Jor na faixa Te Liga. Atualmente o Dazaranha ainda está na ativa, com a comemoração dos seus 25 anos de carreira com o projeto Daza 25 Anos.

Outro exemplo dessa mistura de estilos é da banda Tijuquera, formada em 1994 no bairro do João Paulo, em Florianópolis, e que misturou elementos da nova MPB, com a cidade e o cotidiano de sua gente como seus temas principais. A banda lançou álbuns até 2006 e voltou aos palcos em 2013, mas seu sucesso foi sempre mais restrito à Santa Catarina.

Apresentamos, ao final da edição, a canção Vista do Canal, da banda Tijuquera, do álbum Quem Quiser É Isso (2006), que você confere abaixo:


Viagem Cultural #20 – “Os Tambores de São Luís” (1975), de Josué Montello

Destino: São Luís, MA

Uma das capas de Os tambores de São Luís, de Josué Montello.

Na 20ª edição do Viagem Cultural, apresentamos um dos maiores clássicos históricos do romance brasileiro, Os tambores de São Luís, escrito pelo maranhense Josué Montello e publicado em 1975. O livro é tanto uma crônica da época, quanto ficção literária. O romance é considerado a obra-prima do autor, nascido em São Luís em 1917 e membro da Academia Brasileira de Letras de 1954 até sua morte, em 2006.

Os tambores de São Luís é narrado em apenas uma noite de 1915, mas contém mais de três séculos de história do Maranhão. São mais de 400 personagens e diversas paisagens de São Luís, entre os casarões de azulejos, praias e mirantes. O livro é sobretudo a narrativa da luta e trajetória do negro na capital maranhense, contado a partir do episódio de um assassinato que ocorre em um bar, e do personagem octagenário Damião.

Os tambores de São Luís é um dos principais romances históricos do Brasil, com mais de 500 páginas e mais facilmente encontrado em sebos virtuais.

Para acompanhar a dica do livro, apresentamos duas músicas maranhenses na edição: Tambor de crioula, de Rita Ribeiro, que narra as tradições da dança típica local, e Boi de lágrimas, canção popular interpretada na voz de Alcione sobre as tradições do bumba-meu-boi. Você confere essa última no link abaixo:

Viagem Cultural #19 – “Lavoura Arcaica” (2001), de Luiz Fernando Carvalho

Destino: Interior Mineiro, MG

Pôster de Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho

Nesta edição do Viagem Cultural, voltamos à Minas Gerais para indicar o filme Lavoura Arcaica, lançado em 2001 e dirigido por Luiz Fernando Carvalho. O filme narra a trajetória de André, interpretado por Selton Mello, um jovem da roça que se rebela contra as imposições hierárquicas e patriarcais da lavoura e decide se mudar para outra cidade. O filme é contado fora de ordem cronológica e é elogiado por retratar as belíssimas paisagens rurais brasileiras, gravado em uma fazenda no interior de Minas Gerais.

Lavoura Arcaica é uma adaptação do livro homônimo lançado em 1975 pelo escritor de origem libanesa Raduan Nassar. O filme teve excelente repercussão de crítica e público, tendo atingido 300 mil espectadores com apenas uma cópia de exibição em São Paulo e outra no Rio de Janeiro. Também ganhou mais de 50 prêmios, entre os quais destacam-se o Festival do Rio, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival de Brasília.

Lavoura Arcaica está disponível em DVD, tem 163 minutos e classificação indicativa de 14 anos.

Viagem Cultural #18 – “O Quatrilho” (1995), de Fábio Barreto

Destino: Interior Gaúcho, RS

Pôster do filme O Quatrilho (1995), de Fábio Barreto

Nesta edição do Viagem Cultural, fomos do interior nordestino com o O Auto da Compadecida ao interior sulista com mais um grande filme do cinema brasileiro: O Quatrilho, lançado em 1995, dirigido por Fábio Barreto.

O Quatrilho leva você até o interior do Rio Grande do Sul, no início do século XX, numa pequena comunidade rural onde dois casais de imigrantes italianos dividem o mesmo teto. Com o passar do tempo, a esposa de um se apaixona pelo marido da outra e os dois decidem fugir juntos e deixam para trás os seus parceiros. A obra é inspirada no livro homônimo de José Clemente Pozenato.

O filme é um grande marco no cinema brasileiro dos anos 1990, numa fase que ficou conhecida como Retomada. Após o Governo Collor fechar a Embrafilme em 1990, a produção audiovisual brasileira diminuiu bruscamente até o meado da década, quando produções com repercussões nacionais e internacionais renovaram o interesse do setor.

O Quatrilho é um desses exemplos. Lançado em 1995, o filme ganhou prêmios Brasil afora, e foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1996. O filme, dirigido por Fábio Barreto, estrela grandes nomes da dramaturgia brasileira, como Patrícia Pillar e Glória Pires. O Quatrilho tem trilha sonora toda inspirada na música folclórica gaúcha, principalmente com inspiração dos imigrantes. Conta com produção e adaptação de Caetano Veloso e de Jacques Morelenbaum. Nesta edição, apresentamos Mérica Mérica e A Voz Amada, ambas na voz de Caetano Veloso, como exemplos da trilha.

Atualmente O Quatrilho está disponível em DVD e possui indicação etária de 12 anos. Abaixo, você confere o trailer do filme:

Viagem Cultural #17 – “O Auto da Compadecida”, de Guel Arraes

Destino: Cabaceiras, PB

Pôster do filme O Auto da Compadecida (2000), de Guel Arraes

Neste Viagem Cultural, apresentamos o município de Cabaceiras, na Paraíba, também conhecido como a Hollywood do Nordeste. A cidade já foi palco de inúmeras produções audiovisuais brasileiras, entre as quais destaca-se nossa dica de hoje, o filme O Auto da Compadecida, de Guel Arraes.

O Auto da Compadecida é um filme de comédia, estrelado por Selton Mello e Matheus Nachtergaele, que adapta a peça homônima de Ariano Suassuna, lançada na década de 1950. O filme acompanha as histórias e aventuras de João Grilo, o sertanejo mentiroso e Chicó, o maior covarde da região. A dupla se envolve em negócios e golpes num pano de fundo que envolve os costumes culturais e religiosos do Nordeste brasileiro.

O longa foi todo rodado na cidade de Cabaceiras, no interior do Paraíba. O município fica na região de Campina Grande, segunda maior cidade do estado, a 180km da capital João Pessoa. Na Roliúdi Nordestina de Cabaceiras, já foram rodados mais de 30 produções, entre longas, documentários e curtas. Outro filme importante rodado na cidade é o Cinema, aspirinas e urubus, drama de 2005 de Marcelo Gomes, que já apareceu na edição do Viagem Cultural dedicada ao Sertão Nordestino com sua parceria com Karim Ainöuz no filme Viajo porque preciso, volto porque te amo.

O Auto da Compadecida está disponível em DVD e possui classificação indicativa livre.Abaixo você confere o trailer do filme:

Viagem Cultural #16 – Festival Folclórico de Parintins

Destino: Parintins, AM

Boi Caprichoso (esq) e Boi Garantido (dir), divulgados pelo site A Crítica, em 2017, à espera da apuração do Festival Folclórico de Parintins.

Nesta edição do Viagem Cultural, apresentamos uma das mais famosas manifestações culturais do Brasil, o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. O festival é uma manifestação de cultura popular de várias associações folclóricas e sua principal característica é a disputa entre os bois bumbás Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho).

Embora as tradições folclóricas datem de muito antes e as organizações de bois pelo menos desde o início do século XX, a primeira edição oficial do Festival Folclórico de Parintins é de 1965. Ele é realizado inteiramente a céu aberto, em um espaço chamado Bumbódromo – onde há a disputa entre os bois. As apresentações dos bois são alternadas e o festival tem duração de três noites. As apresentações possuem séries de ritos e quesitos, como a presença da música (chamada de “toada”), de um apresentador, de um levantador de toada, de um amo do boi, da rainha do folclore e muito mais.

Também conhecido como “maior ópera a céu aberto do mundo”, o Festival de Parintins costuma ressaltar, em seu repertório, as tradições e o cotidiano das tribos indígenas da região, da população ribeirinha e da população local como um todo.

Apresentamos nesta edição como exemplo disto, duas toadas, Deusas da Guerra, do Boi Caprichoso e Perrechés do Brasil, do Boi Garantido, ambas da edição de 2018 do Festival. Abaixo você confere o clipe de Deusas da Guerra, que ajudou a dar o título ao Boi Caprichoso ano passado:

Viagem Cultural #15 – “As Duas Irenes” (2017), de Fabio Meira

Destino: Pirinópolis e Cidade do Goiás, GO

Pôster do filme As Duas Irenes (2017), de Fabio Meira

Nesta edição, apresentamos o filme As Duas Irenes, nossa dica cultural sobre o interior de Goiás. O filme é o longa-metragem de estreia do roteirista e diretor Fabio Meira, rodado inteiramente nos municípios de Pirinópolis e Cidade do Goiás.

As Duas Irenes conta a história da menina Irene, de 13 anos, filha do meio de uma família em uma pacata cidade do interior. A vida de Irene muda quando ela descobre que o pai tem outra família, inclusive uma filha com a mesma idade que a dela, também chamada Irene.

O filme conta, então, o despertar e o amadurecer das duas Irenes ao passo que se conhecem. O longa, que foi lançado em 2017, teve passagens elogiadas no Festival de Berlim, na Alemanha e em Gramado, no Rio Grande do Sul.Outro destaque para o filme é a composição das paisagens rurais goianas, parte integral da atmosfera calma e delicada da história. As Duas Irenes está disponível em DVD e possui classificação indicativa de 14 anos.

Abaixo, confira o trailer do filme:

Viagem Cultural #14 – “São Paulo Sociedade Anônima” (1965), de Luís Sérgio Person

Destino: São Paulo, SP

Pôster do filme São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Luís Sergio Person

Esta edição do Viagem Cultural retorna a capital paulista com o filme São Paulo Sociedade Anônima, dirigido por Luís Sérgio Person, lançado em 1965. O filme traz a história de Carlos (Walmor Chagas), jovem da classe média paulistana que vive o momento da euforia do desenvolvimento trazido à cidade pela instalação das grandes fábricas automobilísticas dos anos 1950.

A história mostra a trajetória de ascensão profissional de Carlos em uma empresa de autopeças. Ao mesmo tempo, torna-se um pai de família, bem casado e bem posicionado na sociedade. O longa, discute, então, a infelicidade persistente de Carlos diante de todas as conquistas sociais da “vida perfeita”.

Com tom melancólico, São Paulo Sociedade Anônima, também conhecido como São Paulo SA, mostra e critica o progresso da capital paulista. O filme foi muito bem recebido pela crítica à época do seu lançamento. Ganhou prêmios de Melhor Direção, Montagem e Melhor Filme da crítica especializada do jornal O Estado de São Paulo, além de ter conquistado honras em festivais no México e na Itália.

Em 2015, A Associação Brasileira de Críticos de Cinema, a Abraccine, elegou São Paulo Sociedade Anônima como um dos 100 melhores filmes nacionais de todos os tempos, na sétima posição. O filme tem 107 minutos, é em preto-e-branco, e possui classificação indicativa de 12 anos. Atualmente encontra-se disponível em DVD.

Abaixo você confere trecho com a sequência de abertura do filme:

Viagem Cultural #13 – Músicas do Recôncavo Baiano

Destino: Recôncavo Baiano, BA

Os Tincoãs

Nesta edição do Viagem Cultural, apresentamos as riquezas musicais da região do Recôncavo Baiano, que compreende os municípios situados no entorno da Baía de Todos os Santos. Comumente, exclui-se a capital Salvador desta nomenclatura.

Começamos a edição com a canção Reconvexo, um “dueto” dos irmãos Velloso, com composição de Caetano e interpretação de Maria Bethânia. A canção aparece no álbum Memória da Pele, de 1989, e faz um trocadilho com a região do Recôncavo ao cantar as influências antropofágicas cada vez mais presentes no estado baiano. Os irmãos mais famosos da música brasileira são naturais de Santo Amaro da Purificação.

O Recôncavo tem importância histórica para a cultura do país, pois foi ponto inicial das manifestações de capoeira, por volta de 1650 e do samba de roda, dois séculos depois. Menos conhecidos que Caetano e Bethânia, mas não menos importantes, estão Os Tincoãs, originados no município de Cachoeira. O trio foi formado na década de 1960 e dedicou a sua obra às cultura negra e a influência de matriz africana do Recôncavo. Cada vez mais revisitados, Os Tincoãs sempre foram conhecidos por suas belas harmonias vocais, e tem sido recuperados pela crítica musical brasileira (e internacional) como um dos maiores expoentes baianos da época.

No programa, apresentamos a faixa Deixa a gira girar, do álbum de 1973, intitulado Os Tincoãs:

Viagem Cultural #12 – “Planuras”, de Mauricio Copetti

Destino: Pantanal, MS/MT

Pôster do filme Planuras, de Mauricio Copetti, lançado em 2014.

O Viagem Cultural desembarca no Pantanal brasileiro, um dos biomas mais ricos em diversidade biológica do país, situado no sul do Mato Grosso e no noroeste do Mato Grosso do Sul.

E a dica cultural desta viagem é o documentário Planuras, lançado em 2014 e dirigido pelo realizador Mauricio Copetti. Em formato de filme ensaio, Planuras mostra a relação das paisagens das planícias com a população pantaneira, em estilo considerado contemplativo.

Sobre o filme, o diretor Maurício Copetti fala: “A paisagem no filme é o protagonista multifacetado: os eventos naturais, as cores, os sons, a dinâmica de seus residentes se interrelacionam e são ressignificados através da linguagem cinematográfica”.

Planuras recebeu críticas positivas no circuito de festivais por mostrar as nuances do Pantanal. É possível conferir alguns trechos do filme na plataforma Vimeo.

O filme possui classificação indicativa de 14 anos. Confira abaixo o teaser do filme:

Viagem Cultural #11 – “Curitiba Zero Grau”, de Eloi Pires Ferreira

Destino: Curitiba, PR

Pôster do filme Curitiba Zero Grau (2011), de Eloi Pires Ferreira

O Viagem Cultural apresenta o filme Curitiba Zero Grau, lançado em 2012. O título do filme faz juz à cidade, que é conhecida como a capital mais fria do Brasil, podendo atingir a temperatura zero. A história narra, no inverno curitibano, a trajetória de quatro homens que passam seus dias em trânsito pela cidade: um motorista de ônibus, um catador de papel, um comerciante de automóveis e um motoboy. O longa acompanha as personagens até que seus destinos se cruzam no centro da cidade.

“Curitiba Zero Grau” estreou no Festival do Rio em 2010, ganhou o prêmio de Público do Festival Latino-Americano CineSul, mas foi lançado em circuito comercial apenas em 2012. O filme foi todo rodado na cidade de Curitiba e é estrelado pelo ator Jackson Antunes.

O filme é do gênero drama, tem 105 minutos e classificação indicativa de 12 anos. Confira abaixo o trailer:

Viagem Cultural #10 – Músicas de Fagner

Destino: Fortaleza, CE

Capa do álbum Fortaleza, de Fagner, lançado em 2007.

Nesta Viagem Cultural, apresentamos um pouco da extensa e importante carreira musical de Raimundo Fagner Cândido Lopes, mais conhecido como Fagner.

Natural do Ceará, as canções de Fagner contém, desde sempre, muito do regionalismo nordestino e muitas canções dedicadas a explorar os aspectos sociais e culturais do estado do Ceará, em especial da capital Fortaleza.

Sua carreira começou como intérprete na era dos festivais de música popular dos anos 60 e 70. Cantor, compositor, instrumentista e produtor, Fagner consolidou sua carreira com canções de origem popular e românticas.

Uma das suas primeiras músicas de sucesso foi Mucuripe, parceria com Belchior, sobre o famoso bairro de Fortaleza. Essa música foi regravada e incluída no seu álbum O Quinze, de 1989. Além de ser o seu décimo quinto disco, o nome O Quinze é também uma menção ao famoso livro de Rachel de Queiroz. Originalmente, ele seria o álbum de trilha sonora do filme que adapta a história do livro, mas devido a problemas de produção, o filme nunca foi lançado. Fagner, no total, já tem mais de 30 álbuns de estúdio, incluindo parcerias com Zé Ramalho, Zeca Baleiro e Belchior.

Além da faixa Mucuripe, parceria com Belchior, apresentamos também a canção Fortaleza, do álbum de mesmo nome:

Viagem Cultural #9 – “Rotas Literárias de São Paulo” (2014), de Goimar Dantas

Destino: São Paulo, SP

Rotas literárias de São Paulo (2014), de Goimar Dantas

Nesta edição do Viagem Cultural, viajamos à capital paulista em busca de livros e mais livros. A dica cultural desta edição é o livro-guia Rotas literárias de São Paulo, escrito pela jornalista Goimar Dantas e lançado pela editora Senac em 2014.

O livro é uma grande reportagem sobre a relação dos espaços paulistanos com a literatura, e percorre vários bairros, livrarias, cafés, eventos e muitos anos de história.

Rotas literárias de São Paulo ainda possui fotografias e entrevistas com escritores, editores, críticos literários, livreiros e gestores culturais. Com um tom poético e muito lirismo, Goimar Dantas percorre 21 rotas diferentes de São Paulo.

Apresentamos também, em homenagem à capital paulista, a canção Sampa de Caetano Veloso:

Viagem Cultural #8 – “Mad Maria” (1980), de Marcio Souza

Destino: Porto Velho, RO

Capa da edição em espanhol do livro Mad Maria, de Márcio Souza, lançado originalmente em 1980.

Neste Viagem Cultural, apresentamos o romance Mad Maria, lançado em 1980 pelo escritor amazonense Marcio Souza.

O livro de Souza, lançado em 1980, conta a história da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, construída entre 1907 e 1912, uma epopeia gigantesca que originou a fundação da cidade de Porto Velho, em Rondônia.

A construção da Madeira-Mamoré é retratada em seus três piores meses no romance, considerado um épico ou faroeste à brasileira, de caráter trágico. É válido lembrar que a Estrada de Ferro empregou milhares de homens de várias nacionalidades e resultou, em meio às dificuldades da Floresta Amazônica, em milhares de mortes também.

O livro foi adaptado em 2005 em uma minissérie da TV Globo, criada por Benedito Ruy Barbosa. Os direitos de adaptação foram adquiridos pouco tempo depois do lançamento do livro, mas a série ficou engavetada por mais de 20 anos por conta das dificuldades de se produzir história de tal magnitude. Para a adaptação, que foi rodada nas cidades de Porto Velho e Guajará-Mirim, a equipe precisou reconstruir trechos da ferrovia abandonada.

A série tem 35 capítulos e também  resultou em um lançamento de um livro, o Uma saga amazônica através da minissérie Mad Maria, que conta os bastidores da produção.

Mad Maria, o livro, é atualmente editado pela Editora Record e a minissérie faz parte do acervo do canal a cabo Viva, do grupo Globosat.

Nesta edição apresentamos também a canção “Madeira Mamoré”, interpretada pela artista local Marlui Miranda, que narra um pouco a história dessa, que foi uma das maiores empreitadas do desenvolvimentismo brasileiro.

Viagem Cultural #7 – “Minas”, de Milton Nascimento

Destino: Minas Gerais

Capa do álbum “Minas” (1975), de Milton Nascimento

Neste Viagem Cultural, Priscila Paladino apresentou o álbum “Minas”, lançado em 1975 pelo cantor e compositor Milton Nascimento. Embora tenha nascido no estado do Rio de Janeiro, Milton construiu boa parte da sua vida e carreira em Minas Gerais e sua relação forte com o estado aparece em boa parte da sua música.

O álbum em questão faz parte de um dos momentos mais prolíficos e prestigiados na carreira do cantor, e é aclamado como um dos mais influentes álbuns mineiros. Apreciado por sua complexidade musical, que inclui lirismo sofisticado, toques de teatralidade e influência de jazz.

O nome do álbum, que parece uma homenagem óbvia, é na verdade a junção das primeiras sílabas do nome do cantor. Mais tarde, no entanto, lançaria um tipo de complemento com o álbum “Gerais”, de 1976.

O programa apresentou duas canções do álbum, as faixas Beijo Partido e Ponta de Areia – esta última traz a memória da via ferroviária que ligava Minas à Bahia, um território baiano que chegou a ser negociado para ser parte de Minas no início do século passado. Essa canção você confere abaixo:

Viagem Cultural #06 – Os filmes de Kleber Mendonça Filho

Destino: Recife, PE

Pôster oficial do filme Aquarius (2016)de Kleber Mendonça Filho

A dica do dia no Viagem Cultural são alguns filmes do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho: o curta Recife Frio (2009) e os longas O Som ao Redor (2013) e Aquarius (2016).

Os filmes de Kleber Mendonça costumam abordar temas urbanos da Recife contemporânea, como a gentrificação e especulação imobiliária, violência e embate de classes.

O Som ao Redor traz diversos personagens de um bairro da zona sul da cidade que se veem rodeados por uma milícia. Com um toque de suspense e terror psicológico, as tramas se desenvolvem em torno da insegurança da vida urbana. O filme trouxe projeção internacional à carreira de Mendonça Filho e ganhou diversos prêmios no Brasil, incluindo Melhor Filme nos Festivais de Gramado e do Rio e da Mostra Internacional de São Paulo. Disponível em DVD e classificação indicativa de 16 anos.

Aquarius conta a história de Clara, interpretada por Sonia Braga, que é abordada por agentes do setor imobiliário que querem transformar o prédio decadente em que ela mora em um novo empreendimento residencial na zona nobre da cidade. Classificação indicativa de 18 anos, disponível em DVD e em alguns serviços de streaming.

Por último, vem o curta Recife Frio, lançado antes dos dois longas, e que traz, em estilo de mocumentário, diversos recifenses no processo de adaptação de uma mudança climática distópica na cidade. Classificação indicativa de 12 anos.

O programa também apresentou algumas canções da trilha sonora do filme Aquarius e aqui você confere “Recife, Minha Cidade”, lançada originalmente em 1994 por Reginaldo Rossi:

Viagem Cultural #05 – “A Divina Pastora”, de Caldre e Fião

Destino: Porto Alegre, RS

A Divina Pastora (1847), de Caldre e Fião

A quinta edição do Viagem Cultural apresentou o romance A Divina Pastora, do autor Caldre e Fião, o mais antigo romance histórico sobre o Rio Grande do Sul, lançado em 1847. Foi lançado originalmente no estado do Rio de Janeiro sob o título de Novela riograndense, no formato de folhetim (episódios curtos), o que reflete também influência da literatura europeia da época e pioneiro do romantismo no Brasil.

Caldre e Fião conta a história de amor entre Edélia e Almênio, e também do vilão Francisco, e utiliza as paisagens e a cultura de Porto Alegre de forma enfática a fim de contribuir com a formação de uma identidade nacional, projeto caro aos românticos.

Esta edição também apresentou canções famosas sobre Porto Alegre, de épocas bem distintas: Epopeia Farroupilha (1999), de Elton Saldanha e Deu pra ti, da dupla Kleiton e Kledir, originalmente lançada na década de 1970.

Aqui você confere a canção de Elton Saldanha, cantor e compositor de música regional gaúcha:

Viagem Cultural #04 – “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes

Destino: Sertão Nordestino (CE, PE, AL, SE, BA)

Pôster do filme Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes

Nesta edição do Viagem Cultural, apresentamos o filme Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, lançado em 2009 e dirigido pelo cearense Karim Aïnouz e pelo pernambucano Marcelo Gomes.

O filme conta a história do geólogo José Renato, interpretado na voz de Irandhir Santos, que precisa fazer uma viagem por várias cidades do sertão nordestino para avaliar a implantação de um canal fluvial. Ao longo de sua jornada, José Renato descobre nas paisagens isoladas e abandonadas, reflexo do seu estado emocional atual. Em dúvida, segue a viagem em busca de mudar o seu estado interior.

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo foi montado a partir de imagens não utilizadas do curta-metragem Sertão de Acrílico Azul Piscina, também dos mesmos cineastas, filme experimental rodado no estado de Pernambuco, que explora as imagens, paisagens e costumes do sertão. Ambos os filmes encaixam-se no gênero road movie, ou filme de estrada, onde a personagem principal encontra-se em deslocamento e, através da jornada física, passa por algum tipo de catarse.

A protagonista José Renato nunca se faz presente na tela, mas narra a partir das imagens montadas, a história do filme. O longa-metragem fez sucesso considerável no circuito de festivais, sendo exibido em importantes praças, como Veneza, na Itália e Havana, em Cuba, além de ter colecionado os prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia no Festival do Rio de 2009.

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo foi rodado nos estados do Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. O longa tem 75 minutos, classificação indicativa de 14 anos e está disponível em DVD. Abaixo, você confere o trailer oficial do filme:

Viagem Cultural #03 – “Rock Brasília – Era de Ouro”, de Vladimir Carvalho

Destino: Brasília, DF

Pôster do filme Rock Brasília – Era de Ouro (2011), de Vladimir Carvalho

Nesta edição, viajamos no tempo e no espaço e apresentamos um pouco da cena cultural da década de 1980 na capital federal. A dica do programa é o documentário Rock Brasília – Era de Ouro, lançado em 2011 pelo Canal Brasil e dirigido pelo cineasta paraibano Vladimir Carvalho.

O documentário conta os primórdios do movimento roqueiro oitentista de Brasília e narra trajetória de bandas que estouraram no cenário nacional, como Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial.

O longa traz imagens de apresentações e entrevistas inéditas com Renato Russo, Marcelo Bonfá, Dinho Ouro Preto, entre outros grandes nomes do cenário da capital.

Rock Brasília – Era de Ouro ganhou o prêmio de Melhor Documentário no Festival de Cinema de Paulínia em 2011. O filme tem 111 minutos e classificação indicativa de 12 anos. Atualmente disponível em DVD.

Confira abaixo o trailer oficial do filme:

Viagem Cultural #02 – “Feitiço Caboclo”, de Dona Onete

Destino: Belém, PA

Feitiço Caboclo (2012), de Dona Onete

Na segunda edição do Viagem Cultural, apresentamos o primeiro álbum de estúdio lançado por Ionete da Silveira Gama, mais conhecida como Dona Onete. Seu Feitiço Caboclo, lançado em 2012, traz um punhado de riquezas da cultura paraense no melhor estilo carimbó.

Dona Onete, que é cantora, compositora e poetisa, foi Secretária de Cultura do Pará e professora de História e Estudos Paraenses. Natural de Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó, e dona de uma vasta experiência na área musical e cultural, ela só grava o seu primeiro álbum aos 70 e poucos anos, mas que repercute muito positivamente na crítica musical brasileira.

Neste programa, apresentamos as faixas Jamburana, que canta os efeitos da famosa folha de jambu e a faixa título Feitiço Caboclo, que traz a crença popular sobre o Chá de Tamaquaré, um lagarto típico da Amazônia.

Viagem Cultural #01 – “As Cariocas”, de Sergio Porto

Destino: Rio de Janeiro, RJ

Na primeira edição do Viagem Cultural, apresentamos a obra As Cariocas, lançado em 1967, do escritor Sergio Porto, mais conhecido pelo seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta.

As Cariocas é uma coletânea de contos que utiliza as paisagens de diferentes bairros da capital fluminense como cenário e apresenta, a cada história, um arquétipo da mulher carioca segundo o seu autor. O livro foi adaptado para o cinema antes mesmo de ser lançado, com o filme homônimo que dirigido por Fernando de Barros, Walter Hugo Khouri e Roberto Santos. O filme, rodado em película e em preto e branco, conta as histórias A grã-fina de Copacabana, A noiva do Catete e A desinibida do Grajaú. Foi exibido na 29ª Mostra Internacional de São Paulo, em 2015. E tem classificação indicativa de 18 anos.

A versão mais famosa das histórias de Porto, no entanto, seja a minissérie da TV Globo, de 2010, produzida por Daniel Filho. Também intitulada de As Cariocas, reuniu grande elenco como Sonia Braga, Adriana Esteves e Fernanda Torres, para protagonizar dez histórias inspirada na obra do autor. A série fez tanto sucesso que inspirou uma versão nacional no ano seguinte, As Brasileiras. As Cariocas, da TV Globo, tem roteirização de vários nomes da comédia, como Clarice Falcão e Gregório Duvivier. Está disponível em DVD e possui classificação indicativa de 14 anos.

Nesta edição também apresentamos a versão original da marchinha Cidade Maravilhosa, de André Filho, interpretada por Aurora Miranda, irmã mais nova de Carmen Miranda, lançada no carnaval de 1935 e transformada em hino da cidade do Rio de Janeiro. A canção, utilizada em várias mídias, é tema de encerramento do filme As Cariocas. E para finalizar essa primeira parada da nossa viagem, também apresentamos Bela Fera, de Pedro Luís, tema de abertura da minissérie.

O livro de Sérgio Porto foi reeditado algumas vezes e sua mais recente versão é de 2010. Disponível em várias livrarias.

Aqui você confere a versão original da canção tema da minissérie, Bela Fera:


Opinião dos Leitores

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos Obrigatórios *


Continue lendo

Próxima postagem

Disco da Semana


Miniatura
Postagem anterior

Viagem Cultural


Miniatura

Rádio UFSCar

Tocando agora
TITULO
ARTISTA