ChorandoSemParar chega à sua 13ª edição

Escrito por em 29/11/2016

Maior festival de Choro do Brasil, o ChorandoSemParar começa na próxima segunda-feira (5) na cidade de São Carlos (SP) prestando uma homenagem a Paulo Moura, considerado um dos grandes nomes da música instrumental brasileira.

A noite de abertura do festival acontece às 20h, com o show de Yamandu Costa e Nailor Proveta no Teatro Municipal “Dr. Alderico Vieira Perdigão”. Um dos grandes músicos do Brasil, Proveta é o músico homenageado nesta edição. Proveta iniciou na música desde os 6 anos, tocando clarinete na cidade de Leme (SP). Yamandu é de Passo Fundo (RS) e começou a estudar violão também desde cedo.

Na terça (6), o músico Proveta realiza uma oficina com músicos no Teatro de Bolso da UFSCar, apresentando a genialidade de Paulo Moura e a improvisação brasileira. A segunda noite do festival traz João Donato e Alexandre Ribeiro, que apresentam um repertório inspirado no álbum Dois Panos para Manga.

Além de oficinas, palestras, sessão de autógrafo e muita música instrumental, o Festival ChorandoSemParar realiza no domingo (11) sua tradicional maratona de 12 horas ininterruptas de Choro na Praça XV. Todas as atividades são gratuitas.


Paulo Moura
Nascido em São José do Rio Preto, um dos maiores músicos instrumentais do Brasil morreu em 2010 e ao longo de seus 78 anos foi maestro, compositor, arranjador, saxofonista e clarinetista brasileiro de choro, samba e jazz. Paulo Moura fez muitas parcerias com a cantora Maysa, de 1969 a 1975, em shows na Boate Igrejinha e no especial da TV Cultura Maysa Estudo. Em 1982 compôs a trilha sonora do filme O Bom Burguês, dirigido por Oswaldo Caldeira. Em 2005 fez turnê nacional e internacional do espetáculo Homenagem a Tom Jobim, ao lado de Armandinho, Yamandú Costa e Marcos Suzano. Em 2011, um ano após sua morte, foi lançado a biografia Paulo Moura – Um Solo Brasileiro, de Halina Grynberg, sua esposa por 26 anos, que escreveu o livro baseado em entrevistas que ela fez com Paulo Moura. Em 2012 foi lançado o CD Paulo Moura & André Sachs – Fruto Maduro. No dia 21 de junho de 2012 foi inaugurado o Teatro Paulo Moura, um dos maiores e mais bem equipados teatros do interior de São Paulo, em São José do Rio Preto, terra natal do músico. Em 2013, o CD Paulo Moura e André Sachs Fruto Maduro recebeu duas indicações para o 24º Prêmio da Música Brasileira: (melhor álbum instrumental – André Sachs (produtor), e melhor solista – Paulo Moura).
Saiba mais sobre os músicos participantes e confira a programação completa.

Músicos confirmados para a edição 2016


Nailor Proveta 

Aprendeu as notas musicais antes das letras do alfabeto. De calça-curta, aos 6 anos de idade, tocava clarinete na banda da sua cidade natal – Leme (SP). Passou depois a tocar em bailes no conjunto liderado por seu pai, o tecladista e acordeonista Geraldo Azevedo, e em outros grupos musicais da região. Mudou-se para São Paulo e, aos dezesseis anos de idade, já integrava a orquestra do Maestro Sylvio Mazzucca, famosa em todo o Brasil. Foi convidado para acompanhar os principais artistas do Brasil – Milton Nascimento, Gal Costa, Edu Lobo, Raul Seixas, Guinga, Jane Duboc, Joyce,César Camargo Mariano,Maurício Carrilho, Yamandú Costa, etc. – e também artistas internacionais como Joe Wiiliams, Anita O’Day, Bobby Short, Benny Carter, Natalie Cole, Ray Conniff, Sadao Watanabe, entre outros.


Yamandu Costa
Violonista e compositor nascido em Passo Fundo (RS) em 1980, Yamandu começou a estudar violão aos 7 anos de idade com o pai, Algacir Costa, líder do grupo “Os Fronteiriços”, e aprimorou-se com Lúcio Yanel, virtuoso argentino radicado no Brasil. Até os 15 anos, sua única escola musical era a música folclórica do Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Depois de ouvir Radamés Gnatalli, ele começou a procurar por outros brasileiros, tais como Baden Powell, Tom Jobim, Raphael Rabello entre outros. Aos 17 anos apresentou-se pela primeira vez em São Paulo no Circuito Cultural Banco do Brasil, produzido pelo Estúdio Tom Brasil, e a partir daí passou a ser reconhecido como músico revelação do violão brasileiro. Um dos maiores fenômenos da música brasileira de todos os tempos, o jovem Yamandu confirma e merece todos os elogios que recebe quando toca seu violão. Sozinho no palco, é capaz de levantar em êxtase plateias das mais especializadas e de emocionar do grande público aos mais apurados ouvidos. Suas interpretações performáticas conseguem remodelar cada música que ele toca e revelam uma profunda intimidade com seu instrumento. Todo reconhecimento que recebe é apenas um reflexo do que ele leva ao seu público, recriando a magia da música em seu toque, passando pelo seu corpo e transformando-se quase milagrosamente. Yamandu toca de choro a música clássica brasileira, mas também é um gaúcho cheio de milongas, tangos, zambas e chamamés. Um violonista e compositor que não se enquadra em nenhuma corrente musical, ele é uma mistura de todos os estilos e cria interpretações de rara personalidade no seu violão de 7 cordas. Yamandu faz jus ao significado de seu belo nome “o precursor das águas”. Em 2012 ganhou em Cuba o Prêmio Internacional Cubadisco pelo CD Mafuá e uma Menção do Prêmio ALBA pelo CD Lida.


João Donato
João Donato de Oliveira Neto (Rio Branco, 17 de agosto de 1934), mais conhecido apenas como João Donato, é um pianista, acordeonista, arranjador, cantor e compositor brasileiro. Donato foi amigo de todos os expoentes do movimento bossanovista, como João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Johnny Alf, entre outros, mas nunca foi caracterizado unicamente como tal, e sim um músico muito criativo e que promove fusões musicais, de jazz e música latina, entre tantos outros. Na década de 1950, João Donato se muda para os Estados Unidos onde permanece durante treze anos e realiza o que nunca tinha conseguido no Brasil: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Grava o disco A Bad Donato e compõe músicas como “Amazonas”, “A Rã” e “Cadê Jodel”. Retorna ao Brasil, reencontra a música brasileira que estava sendo feita no país, mas não abandona sua paixão pela fusão entre o jazz e ritmos caribenhos. Como arranjador participou de discos de grandes nomes da MPB como Gal Costa e Gilberto Gil.Entre as composições mais conhecidas do músico, estão: “Amazonas”, “Lugar Comum”, “Simples Carinho”, “Até Quem Sabe” e “Nasci Para Bailar”. Segundo o crítico musical Tárik de Souza: “Durante muito tempo, João Donato foi um mito das internas da MPB. Gênio, desligado, louco, de tudo um pouco.


Anat Cohen
Musicista americana de origine israelita, Cohen começou tocando clarineta e saxofone e em 1996 estudou na Berklee College of Music. Seu album de estreia,  Place & Time, apresenta Jason Lindner, Ben Street, Jeff Ballard e Avishai Cohen foi lançado em 2005 pela Anzic Records. Seu último trabalho Luminosa apresenta Jason Lindner, Joe Martin, and Daniel Freedman. Cohen se apresenta regularmente e tem aparecido em diversos festivais de jazz.


Armandinho
Armandinho formou o grupo de frevo Trio Elétrico Mirim em 1962 e em 1967 a banda de rock Hell’s Angels. Em 1968, apresentou-se no programa “A grande chance”, da TV Tupi, apresentado por Flávio Cavalcanti. Classificou-se em 1º lugar na fase eliminatória, e no ano seguinte foi contratado pela emissora para gravar seu primeiro disco, um compacto duplo e posteriormente um LP. Em 1974 juntou-se a seu pai e outros músicos para formar a banda Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar, lançando diversos discos carnavalescos ao longo da década de 80.Paralelamente, no final dos anos 70, Armandinho formou o conjunto A Cor do Som, que inicialmente serviu de banda de apoio a Moraes Moreira (que também apresentava-se no Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar). Ao lado de Dadi (baixo e vocal), Mú Carvalho (teclados e vocal), e Gustavo Schroeter (bateria), a banda lançou seu primeiro disco em 1977 e se notabilizou pela alta qualidade instrumental, mesclando sonoridades de rock, jazz e música brasileira[2]. Em meados de 1979 Ary Dias (percussão e vocal), que também tocava no Trio Elétrico, passa a integrar o grupo, e apresentam canções inéditas no Festival de Jazz de Montreux na Suíça. Alcançam novo patamar de sucesso ao introduzirem canções cantadas a partir do disco seguinte, o álbum Frutificar. “Beleza pura” (Caetano Veloso), “Abri a porta” (Gilberto Gil – Dominguinhos), “Zanzibar” (Armandinho – Fausto Nilo) tocaram intensamente nas rádios. Armandinho deixa a banda em meados de 1981 para se dedicar à carreira solo e seu projeto com Dodô e Osmar. Ao longo dos anos seguintes, tem dado continuidade a seu trabalho instrumental, voltado para o choro e outros gêneros, gravando e se apresentando ao lado de músicos como Raphael Rabello, Paulo Moura, Época de Ouro, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Caetano Veloso, Yamandú Costa, entre outros. Em 2005 se reúne novamente com A Cor do Som, gravando um disco acústico e realizando shows esporádicos.

Carlos Malta
Iniciou a tocar profissionalmente com dezoito anos, tocando com músicos como Johnny Alf, Antônio Carlos & Jocafi e Maria Creuza. No ano de 1981 passou a acompanhar Hermeto Pascoal, tocando com ele até 1993, quando iniciou sua carreira solo. Tocou também com Egberto Gismonti, Pat Metheny, Gil Evans, Marcus Miller, Charlie Haden, Wagner Tiso, Laércio de Freitas e Nico Assumpção. Atua frequentemente como músico de estúdio, havendo participado de discos de Guinga, Lenine, Sérgio Ricardo, Leila Pinheiro, Marcus Suzano, Paralamas do Sucesso, Caetano Veloso, Gilberto Gil (no álbum São João Vivo, de 2001). Em 1993 aliou-se ao violoncelista suíço Daniel Pezzotti para a gravação do disco “Rainbow”, concorrendo ao Prêmio Sharp de 1995. Participa, como professor, de festivais no Brasil e no exterior desde 1994. Nesse ano, fundou os grupos Coreto Urbano (formação variada) e Pife Muderno (Carlos Malta, Andréa Ernest Dias, Marcos Suzano, Oscar Bolão e Durval Pereira). Em 1997 apresentou-se no Free Jazz Festival com o Coreto Urbano e o Pife Moderno, num show eleito pelo jornal O Globo como o melhor show do ano. Lançou em 1998 o seu primeiro CD solo, chamado “O Escultor do Vento”. No ano seguinte, saiu o disco “Carlos Malta e Pife Muderno” (1999). Recebeu o troféu guarnicê de melhor trilha sonora no 26º Festival de Cinema, em 2003, no Maranhão. Em 2003 participou do CD Os Bambas da Flauta, lançado pela Kuarup. Em 2008, 2010 e 2013 teve participação especial muito elogiada nos shows da banda americana Dave Matthews Band nas turnês pelo Brasil (shows do Rio de Janeiro em 2008, 2010 e 2013 e em Porto Alegre em 2013).


Marcos Suzano
Na adolescência, escutava rock, até se fascinar ao ouvir o naipe de percussão de um bloco carnavalesco. Começou tocando surdo e cuíca e fixou-se no pandeiro depois de assistir a um programa com Jorginho do Pandeiro, do conjunto Época de Ouro. Cursou Economia, mas durante o curso já frequentava a casa de Hermeto Pascoal e de Radamés Gnattali. Estudou ritmos africanos num grupo com Paulo Moura, tocou com Zizi Possi, Água de Moringa, Marisa Monte, Zé Kéti, Gilberto Gil, Lenine e outros. Desenvolveu técnicas para pandeiro que difundiu em cursos e oficinas. Em 1993 sua parceria com o músico pernambucano Lenine se transformou no disco “Olho de Peixe”. Seu primeiro trabalho solo, “Sambatown”, é de 1996 e traz usos inovadors para o pandeiro, intensificando a batida samba-funk e a utilização de sons mais graves. Em 2000 saiu “Flash”, seu segundo disco solo, em que o músico vai mais a fundo no uso da música eletrônica.
Suzano faz também parte do grupo Pife Muderno, liderado por Carlos Malta. A técnica de Marcos Suzano parte do princípio de tocar o pandeiro “ao contrário”, isto é, tomando como tempo forte não a batida do polegar, mas a das pontas dos dedos contra a pele do pandeiro (geralmente a batida das pontas dos dedos é dada fora do tempo forte, dado pelo polegar). Segundo o músico, essa técnica facilita a realização de ritmos fora do padrão do pandeiro, como compassos ímpares, por exemplo.

prog-frente

ChorandoSemParar – Programação 2016

05/12 – Seg

20h – Abertura do Festival – 1ª noite

Yamandu Costa
e
Nailor Proveta
(convidado homenageado) apresentam repertório inspirado no álbum
El Negro del Blanco
.
Local: Teatro Municipal de São Carlos. Retirada de convites antecipada.

06/12 – Ter

15h – Oficina : «Paulo Moura e o Improviso Brasileiro», por Nailor Proveta.
Local: Teatro de Bolso da UFSCar

20h – Abertura do Festival – 2ª noite
João Donato e Alexandre Ribeiro apresentam repertório inspirado no álbum Dois Panos para Manga.
Local: Teatro Florestan Fernandes – UFSCar. Retirada de convites antecipada.

07/12 – Qua

20h30 – Noite de autógrafos e roda de conversas
Paulo Moura como tema, sob o ângulo de três diferentes olhares. Halina Grynberg, João Donato e João Fernando Gomes de Oliveira, Muringa. Após bate papo, Halina Grynberg autografará seu livro Paulo Moura, Um Solo Brasileiro.
Local: Centro Cultural Espaço 7

08/12 – Qui

15h – Oficina : « Influência Rítmica na Música Instrumental Brasileira Contemporânea», por Alexandre Ribeiro.
Local: Centro Cultura da USP

09/12 – Sex

17h30 Palestra « O acervo digital Paulo Moura», por Halina Grynberg Projeto elaborado sobre a coordenação geral geral e sobre a coordenação musical de Cliff Korman.
Local: Centro Cultural da USP

19h30 – MoMA – A Mostra Musical dos Alunos do Curso de Música da UFSCar apresentará uma edição instrumental que inclui Choros e gêneros afins em homenagem ao músico Paulo Moura.
Local: Praça XV

10/12 – Sab

10h30 – Palestra « Paulo Moura e Cliff Korman – Um encontro de musicalidades», por Cliff Korman.
Local: Centro Cultural da USP

14h30 – Bate papo « A música instrumental brasileira nos EUA », com a instrumentista norte-americana Anat Cohen.
Local: Centro Cultural Espaço 7

20h – Noite AfroBossaNova, apresentação inspirada no projeto «Homenagem a Tom Jobim: música instrumental brasileira» (2005) e no CD AfroBossaNova (2008), por Armandinho Macedo, Carlos Malta, Marcos Suzano e convidados.
Praça XV

11/12 – Dom

10h às 22h Encerramento do Festival ChorandoSemParar – 12h de música instrumental na Praça XV com revezamento dos artistas convidados.

TODAS AS ATIVIDADES TÊM ENTRADA FRANCA

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