Mumford & Sons – Babel

Escrito por em 01/10/2012

 Babel, a torre construída por humanos com o intuito de alcançar os céus, fadada ao fracasso e à punição divina, é talvez o maior aviso em relação ao poder destrutivo que a ambição humana pode conter.

O Mumford & Sons sabia o que estava fazendo quando construiu a sua própria versão de Babel, pois o sucessor do grande êxito que foi o debut Sigh No More mantém-se bem modesto, sem apresentar nenhuma radical alteração no indie-folk tão familiar a banda. Não que isso signifique que Marcus Mumford seja um homem sem ambição – esse sentimento se manifesta, mas de forma moderada pela sabedoria. Isto é, conscientemente, a banda optou por ater-se ao que deu certo desde o começo e aperfeiçoar o que fosse possível, nada de novos instrumentos adicionados à mistura, ou músicas completamente diferentes do que se esperaria da banda, pois não há necessidade para tal: o Mumford & Sons encontram-se num seleto grupo de bandas que acharam seu som desde o primeiro disco.

O álbum abre com apenas um riff de violão acelerado que, urgentemente, é assistido pela banda inteira, tão rápido quanto veio sai de cena para dar espaço aos vocais que entram com efeito. Essas nuances de agitado-calmo já são as marcas registradas do som da banda, por isso se repetem ao longo álbum. Por exemplo, no single “I Will Wait”, a música começa com todo o gás, mas logo para, dando espaço ao verso calmo em um crescente que leva a um refrão quase a cappella. Nada novo, mas é uma fórmula segura, que não falha em animar e emocionar, e é essa a proposta do Mumford & Sons.

Naturalmente, as letras estão tão afiadas quanto no álbum de estreia: a sequência de “Holland Road”, “Ghosts That We Knew”, “Lover of The Light” e “Lovers’ Eyes” é de matar: ao fim de “Lover Eyes” é impossível não se sentir tocado, tanto pelos sutis arranjos quanto pelas expressivas letras que realmente conseguem traduzir o sentimento para o som.

Depois desta sequência “fossa”, “Broken Crown” aparece para mudar um pouco o rumo das coisas, o instrumental crescente é usado para criar uma tensão, até que a faixa explode num refrão furioso, muito bem interpretado pelos vocais de Marcus. Já perto do fim, “Below My Feet” é o mais próximo que o álbum chega de uma novidade no som da banda, com uma guitarra à la Coldplay em primeiro plano e um arranjo que honra a comparação, isso é a coisa mais diferente em relação ao Sigh No More.

Por fim, Babel é o presente da banda a seus já fiéis fãs. O disco não busca apelar para um novo público com alguma mudança de estilo, o que o Mumford & Sons faz é aperfeiçoar sua musicalidade. Bem avisados pelo próprio mito bíblico, a ambição da banda é medida e assegura ao álbum essa consciência.

Henrique Gentil,
Bolsista de Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar:

segunda-feira
1. Babel
2. Whispers In The Dark
terça-feira
3. I Will Wait
4. Holland Road
quarta-feira
5. Ghosts That We Knew
6. Lover Of The Light
quinta-feira
7. Lover’s Eyes
8. Reminder
9. Hopeless Wanderer
sexta-feira
10. Broken Crown
11. Below My Feet
12. Not With Haste

Revisão: Sheila Castro

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